sexta-feira, 3 de abril de 2009

Artrite Reumatóide

Trata-se de patologia inflamatória crônica sistêmica, o que significa que ela acomete não só as articulações, mas também outros órgãos e sistemas como o coração, pulmão, olhos e sangue.

A Artrite Reumatóide (AR) acomete homens e mulheres de todas as idades, com picos de incidência em adultos jovens e mulheres em pré-menopausa, numa relação de prevalência de duas a três mulheres para cada homem. Considerada incurável até o momento, a expectativa de vida pode ser reduzida tanto em homens como em mulheres com artrite reumatóide e aqueles pacientes com o tipo mais grave da doença apresentam as mais altas taxas de mortalidade.

Desenvolve-se de maneira insidiosa em 70% dos casos, sendo, portanto, possível também o aparecimento súbito. Muitas vezes, antes de surgirem as queixas articulares, os pacientes podem apenas relatar sintomas gerais: febrícula, mal-estar, sudorese, perda do apetite, emagrecimento, desânimo, angústia e irritabilidade.

Ao contrário do que muitos imaginam a AR é uma doença potencialmente grave e debilitante. Podemos explicar tal afirmativa esclarecendo duas principais vertentes das manifestações dessa patologia:

1. Manifestações articulares

O acometimento articular localiza-se predominantemente nas articulações sinoviais (aquelas que contêm uma camada de células produtoras do líquido sinovial e dotadas de maior mobilidade) e tecidos periarticulares. Desse acometimento decorrem: dor, calor e rubor das articulações e, com o evoluir da doença, limitação dos movimentos e deformidades.

São simultaneamente acometidas e de modo simétrico (direito e esquerdo). A rigidez matinal significa que ela é mais intensa após despertar e sua duração guarda relação com o grau de atividade da doença, ou seja, quanto mais tempo as juntas ficam endurecidas, mais ativa está a doença.
Qualquer articulação sinovial pode ser acometida, sendo que algumas com mais conseqüências:
Mãos
Joelhos
Pés
Cotovelos
Ombros

A coluna vertebral somente a porção inicial da coluna cervical (primeira e segunda vétebras) é acometida. A inflamação neste local tende a ocorrer em pacientes com doença mais grave e, pode ter conseqüências também graves pelo fato dessas articulações estarem em contato íntimo com a medula espinhal.

Alguns pacientes que convivem longamente com a doença poderão estar limitados ao ponto de não poderem trabalhar ou depender da ajuda de outras pessoas até mesmo para o cuidado pessoal diário.

2. Manifestações sistêmicas

Em relação às manifestações sistêmicas, alguns pacientes desenvolvem anemia, lesões nodulares sob a pele ou no interstício dos pulmões, lesões nos nervos periféricos dos membros inferiores, problemas oculares, pericardite, entre outros.

Muito freqüentemente os pacientes queixam-se de olho seco e boca seca. Essas queixas podem fazer parte da Síndrome de Sjögren, caracterizada por secura de mucosas e outras manifestações como aumento das glândulas parótidas, alterações dos túbulos renais, entre outras.

Consideradas em conjunto podemos avaliar o impacto sob a saúde e qualidade de vida dos indivíduos afetados pela doença.

A Artrite Reumatóide é uma doença de difícil tratamento. Até 75% dos pacientes apresentam melhora quando são tratados com baixas doses de um número mínimo de medicações durante o primeiro ano da doença, porém 10% ou mais são eventualmente incapacitados por ela.

Períodos regulares de repouso (30-40 minutos) durante o dia devem ser recomendados para todos os pacientes. Programas de exercícios também podem contribuir para a prevenção de deformidades e a manutenção da massa muscular, embora eles devam ser iniciados cuidadosamente se o processo inflamatório agudo ainda estiver ativo. Exercícios e fisioterapia oferecem maior sucesso quando iniciados após a inflamação ter sido suprimida.

Vários dispositivos encontram-se disponíveis para ajudar os pacientes com artrite reumatóide a realizar as tarefas diárias. A avaliação com um terapeuta ocupacional é sempre bem vinda. Sapatos ortopédicos, adaptações de utensílios domésticos ou de trabalho facilitam em muito a dia-a-dia das pessoas.

O tratamento farmacológico da artrite reumatóide tem sido tradicionalmente dividido em medicações sintomáticas e modificadoras do curso da doença. Os antiinflmatórios não-hormonais e os glicorticóides, exercem rápido efeito supressor dos sinais de inflamação, tais como dor e rigidez, mas, infelizmente, eles não alteram a progressão do dano articular.

As medicações modificadoras do curso da doença (chamadas pelos médicos de DMARD’s) são aquelas que conseguem modificar o curso da doença. Dentre estas, podemos destacar a sulfassalazina, a hidroxicloroquina, o metotrexato, a azatioprina, os sais de ouro, a penicilamina, a ciclofosfamida e a ciclosporina. Atualmente as medicações modificadoras da doença estão sendo usadas no início do processo patológico para ajudar a prevenir complicações e incapacidade. Os pacientes devem ser avaliados e se submeter a exames laboratoriais de acompanhamento periodicamente.

Atualmente estão disponíveis medicações denominadas agentes biológicos. Elas atuam mais especificamente combatendo células ou produtos celulares envolvidos diretamente no desencadeamento e manutenção da inflamação articular. No Brasil elas já estão sendo muito utilizadas, sendo disponibilizadas pelo SUS e cobertas pelos planos de seguradoras de saúde. Devem ser indicadas, até o momento, para pacientes que apresentaram falha aos DMARD’s tradicionais, e com critérios e cuidados que são indispensáveis. Entre esses cuidados podemos citar a pesquisa e profilaxia (caso necessário) para tuberculose, avaliação da função cardíaca, e a monitoração de ocorrência e tratamento processos infeciosos. São medicações de uso subcutâneo ou endovenoso, semanal, mensal ou bimestral e, sem dúvida constituem uma importante opção terapêutica para o tratamento de pacientes com artrite reumatóide.

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